Sabugal – Autárquicas 2021 (3)

Não basta pregar ideias com frases vistosas e expressivas de combate ao despovoamento. Não basta dizer que se quer combater a desertificação; é preciso dizer como. São necessárias práticas que materializem essas ideias, participação activa na vida cultural, social, económica e política, participação no associativismo, empenho na dinamização das actividades, etc. Não se combate a desertificação pregando no Sabugal os caminhos para o desenvolvimento, mas vivendo fora daqui… Há muita gente que só se lembra do Sabugal de 4 em 4 anos.

Tópicos do essencial dos textos publicados ao longo dos últimos 15 anos sobre as eleições autárquicas no Sabugal e em que esgrimi argumentos de defesa e prova das ideias (continuação, parte 3 de 4)

8 – No confronto entre os diferentes candidatos prevalece quase sempre a fulanização em detrimento das ideias. Há mais inimigos que adversários, e sendo inimigos, os ataques ad hominem (argumentum ad hominem) são frequentes. Não raras vezes, o insulto, a difamação, a grosseria, a maledicência sobrepõem-se ao debate de ideias; talvez na falta destas!

9 – Programas eleitorais: nas campanhas eleitorais os partidos apresentam o seu programa eleitoral. Olhando para o que foram as últimas eleições, é de esperar que os temas do desenvolvimento e despovoamento / desertificação voltem a marcar presença significativa, vigorosa e espalhafatosa, tanto mais que são assuntos quase letárgicos entre eleições.

Não basta pregar ideias com frases vistosas e expressivas de combate ao despovoamento. Não basta dizer que se quer combater a desertificação; é preciso dizer como. São necessárias práticas que materializem essas ideias, participação activa na vida cultural, social, económica e política, participação no associativismo, empenho na dinamização das actividades, etc. Não se combate a desertificação pregando no Sabugal os caminhos para o desenvolvimento, mas vivendo fora daqui… Há muita gente que só se lembra do Sabugal de 4 em 4 anos. Há muita gente que aqui nasceu, que aqui trabalha, mas que não fixa residência no concelho. Há muita gente que daqui não é natural, que aqui trabalha, mas não vive aqui.

10 – Campanhas eleitorais: no fundo, o que me incomoda nas campanhas eleitorais é o facto de as pessoas, incluindo os candidatos, estarem mais preocupadas em dizer o que se fez mal e/ou o que não se fez, do que em dizerem o que é que elas acham que deveria ser feito e o que se propõem fazer: com honestidade intelectual, sem demagogia e com ideias que se possam materializar em projectos concretos. Ou seja, o que é que os candidatos pretendem fazer a seguir ao que, bem ou mal, foi feito. Porque é com essa realidade que se vão confrontar – “O que realmente importa é o que fazes com o que tens”, no dizer de H. G. Wells (ou, como sugeriu Jean-Paul Sartre – em adaptação livre -, o importante não é aquilo que fizeram mas o que nós mesmos faremos do que os outros fizeram).

(parte 3 de 4, continua)

Norberto Manso

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