O AMOR QUE SE FAZ, O QUE SE FAZ DO AMOR?

Sexo e amor andam de braço dado numa relação muito complexa, o que não quer dizer complicada. Podemos amar sem fazer amor; podemos fazer amor sem amar; podemos fazer amor com quem amamos. Se calhar, muitos já passaram, de alguma maneira, por qualquer uma das situações. Mas a vida ganha especial sentido sempre que fazemos amor com quem amamos.

Tropecei neste texto teclado há mais de uma década. Ainda me faz sentido o que na altura escrevi e que agora partilho:

Recordo-me de, no início dos anos 80, altura em que ainda se respirava o cheiro dos cravos e permaneciam vivos alguns aromas da revolução de Abril, um professor ter sido alvo de procedimento disciplinar por, alegadamente, pregar aos seus alunos que: O amor não existe. É preciso fazê-lo!

Fazemos amor porque amamos ou amamos porque fazemos amor? No entender do tal professor o amor não existe enquanto expressão de sentimentos. A prática sexual é que origina a terminologia do amor que, assim entendido, é apenas uma palavra sem o correspondente processo afectivo; uma invenção das palavras a que só há uma forma de lhe dar existência: fazendo.

Mas como é que se pode fazer amor se o amor não existe? Será que é ao fazê-lo que lhe damos existência? Ou será que chamamos fazer amor à simples prática sexual?

Sexo e amor andam de braço dado numa relação muito complexa, o que não quer dizer complicada. Podemos amar sem fazer amor; podemos fazer amor sem amar; podemos fazer amor com quem amamos. Se calhar, muitos já passaram, de alguma maneira, por qualquer uma das situações. Mas a vida ganha especial sentido sempre que fazemos amor com quem amamos.

Num relacionamento passamos muitas vezes pelas diferentes situações, quase sem nos apercebermos: às vezes, depois de termos feito amor vamos descobrindo o amor; outras vezes, fazer amor é o culminar de um processo amoroso e de envolvimento afectivo em que os corpos deixam de conseguir resistir à fúria dos sentimentos. Mas acabamos sempre por fazer amor com quem amamos. É assim no início dos relacionamentos; é assim no fim: às vezes deixamos de fazer amor com quem ainda amamos; outras vezes fazemos amor com quem já não amamos; acabamos sempre por deixar de amar e de fazer amor.

E, algumas vezes, mantêm-se relações para, digamos, inglês ver, mantendo aparências de um casal/casamento/família onde o amor já não existe, meteu férias. A vida torna-se insuportável, nada gratificante, os dias perdem-se num labirinto de silêncios cobardes intercalados de amargas palavras. A serenidade necessária à resolução dos conflitos e das situações é trocada pela agressividade verbal, psicológica, às vezes física, de reivindicações.

Não nos esqueças deveria ser o lema orientador dos conflitos; ou seja, a memória do amor vivido deveria sobrepor-se à ausência de amor na resolução dos problemas.

Nem o amor nem a ausência de amor nos dispensa de ser inteligentes. A ausência de amor exige muita inteligência, uma inteligência ao serviço da boa resolução dos conflitos, do altruísmo e do bem-estar, e não para a descoberta das formas de melhor prejudicar o outro. A ausência do amor não nos deve transformar em bestas nem acordar o pior do que somos capazes e que o amor adormeceu.

O fazer bem e o bem não deve ser orientado apenas para os que amamos. Deve ser uma opção de vida, de forma de estar, de tal modo que se aplique mesmo àqueles de quem já não gostamos.

Muitos dos relacionamentos que terminam acabam mal porque os seus protagonistas não sabem conviver e relacionar-se na ausência de amor, porque fazer bem e o bem não é uma opção de vida, uma forma de estar.

Há coisas que se fazem independentemente de se amar ou não. Ama e faz o que queres pressupõe que se amarmos só fazemos o bem e bem. O dia que tivermos atitudes, comportamentos e só fizermos o que só faríamos por amor, nesse dia não haverá rupturas difíceis, amargas, agressivas, violentas, depressivas.

P.S. Liguem ao conteúdo, às ideias. Não como certezas, mas como ponto de partida para a reflexão que cada um pode fazer.

Norberto Manso

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