Sabugal – Autárquicas 2021 (2)

LOGO-PEQUENO3Tópicos do essencial dos textos publicados ao longo dos últimos 15 anos sobre as eleições autárquicas no Sabugal e em que esgrimi argumentos de defesa e prova das ideias (continuação, parte 2 de 4)

3 – Identidade política: na maior parte das vezes, não se conhece o pensamento político nem as ideias dos candidatos. Surgidos do nada, sem identidade, têm pela frente um enorme trabalho para conquistar eleitorado; como não há tempo de criar uma identidade política, tenta-se a empatia junto do eleitorado com brindes de propaganda e promessas para ‘inglês ver’, embrulhadas em vistosas frases de eloquência de sarjeta.
Ora, eu quero votar, mas preciso de saber quem são os candidatos, o que fizeram, o que estudaram, que participações tiveram na vida pública (associativa, forças vivas do concelho), que ideias escreveram, em que fóruns participaram, o que pensam, o que sentem, por onde andaram, que actividades organizaram, em que eventos estiveram, que expressão deram ao seu amor pela terra (será que ao menos são cá residentes?).
QUE EXPRESSÃO DERAM AO SEU AMOR PELA TERRA?! Continuar a ler

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Sabugal – Autárquicas 2021 (1)

LOGO-PEQUENO3Filho de agricultores, cedo aprendi que depois das colheitas é preciso, quase de imediato, começar a preparar os terrenos para as próximas sementeiras. As boas colheitas são precedidas de muito trabalho, muito empenho, muita atenção, muito cuidado antes de a semente ser dada à terra e durante o seu crescimento: rega, monda das ervas daninhas, cuidar da bicharada, observar as necessidades, proteger as culturas…
A glória de uma boa colheita é feita de suor! Assim deviam ser as eleições

Em 2005, 2009, 2013 e 2017, anos em que se realizaram eleições autárquicas, escrevi algumas reflexões – modestas, obviamente – sobre as eleições e as candidaturas no Sabugal.

O denominador comum das reflexões foi sendo repetido eleição após eleição; a realidade teimava na reincidência, originando, no essencial, as mesmas ideias, mudando apenas alguns dos personagens. Continuar a ler

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Despenteando Parágrafos

onesimo-capaO zelo com que hoje académicos escrutinam a História à procura de actos racistas, como se fosse legítimo exigir que há 500 ou 300 ou mesmo cem anos as pessoas tivessem a consciência social que hoje temos relativamente a esse problema. O paternalismo condescendente com que se acusa apenas o ocidente de colonialista e racista, deixando imunes de crítica os ditadores, capitalistas e neocolonialistas negros que hoje imperam impunemente em África.

Despenteando Parágrafos, obra de Onésimo Teotónio Almeida (Quetzal Editores, 2015) é uma colectânea de ensaios do autor. O livro lê-se com agrado, tamanha é a riqueza dos textos, as análises críticas, as polémicas que gera. Muito interessante.

Adverte o autor que “consciente da dificuldade lusitana de se debater argumentos sem entrar em ataques pessoais, procurei em todos os meus escritos cingir-me exclusivamente ao campo das ideias e respeitar ao máximo os autores.” (pág. 14-15) E, mais adiante, “Fazemo-lo cautelosamente, sem intuitos polémicos, com a preocupação de não descambar para a portuguesíssima maneira de trocar ideias que acaba sempre em tourada verbal, e que em regra tem mais a ver com o carácter das mães ou o tamanho do nariz dos avós dos intervenientes.” (pág. 53) Porque, reitera o autor, “é difícil dialogar-se em Portugal mantendo-nos só ao nível das ideias. As susceptibilidades são incontroláveis e o objectivo principal do diálogo desaparece no fumo gerado.” (pág. 334) (Onésimo Teotónio Almeida nasceu nos Açores, mas reside nos Estados Unidos desde 1972, onde é catedrático na Universidade de Brown). Continuar a ler

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O senhor democrata é a morte. Todo o mortal tem de morrer

IMG_1913Todos os seres humanos são iguais em virtude de condicionamentos fisiológicos elementares. Eles necessitam de oxigénio e proteínas. Têm de dormir e defecar. O senhor democrata é a morte. Todo o mortal tem de morrer.
(George Steiner, Fragmentos, Relógio D’Água, 2016, pág. 23)

Acredito, não por fé mas por razão, que a imortalidade é uma impossibilidade física. Podemos prolongar a vida (distanásia), dilatar a longevidade e, num futuro longínquo, alguns tornarem-se amortais, mas nunca imortais. Ou seja, podemos vir a alcançar o controlo de todas as doenças, a substituição de órgãos, a cura de todos os males a ponto de não morrermos de doença nem do falhanço dos órgãos; sermos amortais. Mas, ainda assim, esta longevidade infinda estaria reservada a uns poucos privilegiados com acesso a tecnologias muito sofisticadas e muito onerosas, mas, mesmo esses, não sobreviveriam a uma bomba terrorista que os estilhaçasse por completo, a um acidente de automóvel que os despedaçasse, a um tubarão que os engolisse… Continuar a ler

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O desenvolvimento do concelho depende de todos nós

179763_198156957006179_503342890_n[1]Em 2006 (ó deuses! Já lá vão 14 anos), solicitou-me o jornal Cinco Quinas uma entrevista onde agora tropecei por acaso…. Transcrevo a penúltima pergunta e a respectiva resposta:

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Como vejo o mundo

einstein“O comportamento ético do homem deve basear-se eficazmente na compaixão, na educação e nos laços sociais, e não necessita de base religiosa. Triste seria a condição humana se os homens precisassem de ser refreados pelo temor do castigo ou pela esperança da recompensa depois da morte.”

Na ressaca de ‘O Pintor de Alamas’ – muito boa ressaca! – desempoeirei do ‘cemitério dos livros’ esta obra de Albert Einstein, Como vejo o mundo, (Empresa Nacional de Publicidade, Lisboa, 1961). É um olhar interessante de Einstein sobre o mundo, olhar descomprometido, de uma espontaneidade e generosidade que estimula o leitor a também fazer a sua reflexão e, se possível, contribuir para um mundo melhor, porque “Sem «cultura ética» não há salvação para os homens.” (pág. 30)

A serenidade de um sábio face aos problemas do mundo, a defesa persistente da paz e da ciência, o empenho lutador pelo pacifismo, pela não-violência, pelo desarmamento, a verticalidade ética de quem não se rende aos mais diferentes poderes desassossegam ainda hoje quem goza da disponibilidade de questionamento sobre o mundo em que vivemos. Continuar a ler

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O Pintor de Almas

PINTOR DE ALMASDepois de “A Catedral do Mar”, “Os Herdeiros da Terra”, “A Rainha Descalça” e “A Mão de Fátima”, Ildefonso Falcones, afirma-se como um excelente contador de histórias, muito bem entrelaçadas num enredo absorvente que nos aprisiona voluptuosamente. Foi, senão o melhor, dos melhores livros que li na minha vida!

O Pintor de Almas, de Ildefonso Falcones (Suma de Letras, Março de 2020) é um livro enorme, não pelas 650 páginas, mas pela extraordinária narrativa, que não cansa e que mantém a fome de mais leitura quando chegados ao fim.

O título do livro deve-se ao facto de o protagonista, Dalmau Sala, ao pintar, “foi roubando as almas daqueles rapazes escorraçados pela humanidade com as quais dava vida a umas folhas de papel que gritavam a sua dor, angústias, desesperança… a sua miséria.” (pág. 132)

A história inicia-se em 1901, em Barcelona, capital da Catalunha, cidade a viver uma enorme agitação social decorrente das enormes desigualdades sociais, das lutas dos operários, da emancipação da mulher, dos movimentos anarquistas… A opulência e poder do clero e da burguesia a contrastar com a miséria dum proletariado cada vez mais reivindicativo… um contraste social e económico muito acentuado onde “a magnificência na construção de edifícios e até na forma de pensar de uma considerável da burguesia barcelonesa, coexistia a miséria característica da Revolução Industrial. Ao mesmo tempo que uns aplicavam as suas finanças num alarde competitivo de sumptuosidade, a mole operária, profundamente empobrecida e explorada, começava a tomar consciência do seu poder político bem para além dos postulados anarquistas.” (pág. 647) Continuar a ler

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Decadência

Decadencia-capa“O corpo de Jesus criança obedece às mesmas leis que o corpo de Jesus adulto: ele não come, não bebe, não ri, não dorme, não sonha, não sofre; não tem qualquer desejo, não se lhe conhece nenhuma paixão; não é afectuoso, não ama o pai; não lhe obedece e até lhe desobedece; não tem qualquer relação com raparigas e a única mulher do seu círculo é a mãe. (…) é uma personagem conceptual que também cristaliza as informações dispersas no Antigo Testamento a propósito do Messias anunciado pelos textos judeus. Jesus só existe plenamente ao coincidir com o retrato dele anunciado pelo corpus veterotestamentário. É aquilo que os textos disseram que seria.”

O livro, Decadência – O Declínio do Ocidente, de Michel Onfray (Edições 70, Junho de 2019), cujo título original (Décadence. Vie et Mort du judeo-christianisme) traduz e ilustra melhor o conteúdo do livro, é uma excelente obra sobre a evolução do ‘mundo ocidental’ abordada pela perspectiva da evolução do cristianismo.

Com argumentos sólidos, uma documentação imensa e fontes robustas, com numerosas referências, fruto de uma investigação exaustiva, colossal, Michel Onfray faz, nas 624 páginas do livro, a desconstrução da efabulação cristã e do cristianismo, desmontando, de forma brilhante, os pilares das crenças que, de tão moribundas, estão a dar lugar a novas ‘espiritualidades’.
Fascinante! Continuar a ler

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Jornalistas: papagaios verbais da imagem

reflexao-arvoresJornalismo de sarjeta
Este tempo que afastou e expulsou a reflexão, a análise, o comentário, a contextualização do facto com as suas causas, as suas razões, a sua genealogia, é inimigo da inteligência e amigo da paixão, do pathos, das emoções, das sensações, das perceções imediatas. Nenhum pensamento é possível, pois pensar implica ter tempo para expor um raciocínio, enquanto o tempo mediático é dinheiro que não se pode dispensar à reflexão.

 Andava eu deliciado sem o alarido e a constante poluição sonora e visual do futebol que penetra em todos os meios e órgãos de comunicação social, quando o recomeço dos jogos aconteceu e com ele….

Os jogos de futebol não são transmitidos em canais abertos. O mesmo deveria acontecer com os programas de “debate” (eufemismo para as alarvidades e a logorreia patética dos participantes); o critério editorial dos noticiários é de duvidoso jornalismo e abrir telejornais com futebol… está tudo dito.

O mesmo acontece com autênticos folhetins noticiosos explorados até ao tutano e que, em última estância, agradeço, porque abrem a janela a outros afazeres, a outros ócios mais produtivos…

Eis quando senão, deparei-me na leitura do livro (1) com este texto que transcrevo com vénia:

«aquele a que, porém, continuamos a chamar jornalista mostra-se, na verdade, o papagaio verbal da imagem, diz aquilo que a imagem já mostra. Na presença de um incêndio, diz que as chamas destroem o edifício; na presença dos bombeiros, acrescenta que os soldados da paz estão no local; quando os socorros médicos chegam e vemos as luzes de emergência das ambulâncias, diz que os socorros estão no local; quando a polícia delimita o terreno com uma fita relata que o terreno está a ser delimitado por uma fita. O transeunte que observa a cena é solicitado para dar a sua opinião; dá-a: diz que houve uma explosão, que a polícia está no local, que os socorros já chegaram e que o espaço está delimitado por uma fita. Outro transeunte também pode ser entrevistado; dará também a sua opinião: a mesma. O jornalista concluirá dizendo que uma equipa de psicólogos já está no local. Numa tenda. E podemos então ver imagens dessa tenda.

Este tempo que afastou e expulsou a reflexão, a análise, o comentário, a contextualização do facto com as suas causas, as suas razões, a sua genealogia, é inimigo da inteligência e amigo da paixão, do pathos, das emoções, das sensações, das perceções imediatas. Nenhum pensamento é possível, pois pensar implica ter tempo para expor um raciocínio, enquanto o tempo mediático é dinheiro que não se pode dispensar à reflexão.»
(1) – Michel Onfray, Decadência – O Declínio do Ocidente, Edições 70, Junho de 2019, pág. 536.

Norberto Manso

 

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Portugal é um povo de suicidas, talvez um povo suicida.

Filomena monicaPorque é que tantos disseram tanta coisa desagradável não nos deve remeter para argumentos de defesa, mas obrigar-nos a um exercício de autenticidade na análise que se impõe. Enquanto povo, podemos ser tanto melhores quanto mais compreendermos a nossa história, a nossa cultura e os traços mais identitários da nossa ‘natureza’. Não nos podemos iludir sobre nós próprios.

 Estarmos à janela e vermo-nos a passar na rua, observando-nos num acto introspectivo, é um exercício a que recorremos para melhor nos conhecermos. Olhar para dentro, a partir de fora. E conhecer-nos-emos tanto melhor quanto mais profundo for o olhar para dentro. Ajudará nessa tarefa o olhar dos outros sobre nós, sendo, quase certo, verificarmos uma enorme distância entre a forma como nos vemos e a forma como nos vêem. Teremos que nos estudar no olhar dos outros.

O mesmo é válido para a comunidade, a sociedade: o conhecimento dos outros, ou melhor, o olhar dos outros, ajuda-nos a pensar enquanto comunidade, enquanto portugueses. É o que se propõe Maria Filomena Mónica (MFM) com este livro: O Olhar do Outro – Estrangeiros em Portugal: do Século XVIII ao Século XX, (Relógio D’Água, Fevereiro de 2020), que leu, “tudo o que ajudasse a recolher as opiniões que os estrangeiros que visitaram Portugal formaram ao longo destes dois séculos e meio.” (pág. 341) Continuar a ler

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